O Agora e o Aqui
Nesta semana em que minha irmã esteve aqui em Natal passeamos, rimos e conversamos muito. Foi bastante enriquecedor desfrutar da proximidade dela para conseguirmos entender melhor nossos problemas e procurar as nossas soluções.
Mas, além disso, andamos bastante de bicicleta.
Sou ciclista a vários anos e ela nunca mostrou interesse em andar de bicicleta. Mas depois que foi morar sozinha em Sobral a alguns meses, ela despertou para todas as vantagens que o ciclismo trás a nós mesmos e à sociedade também. Em pouco tempo já tinha comprado uma bicicleta de passeio (uma Caloi 100 Sport), passou a ir trabalhar pedalando e até entrou num grupo de ciclistas que faz trilhas, os Carcará Pedaleiros. Está pensando a sério em começar a competir.
Uma de nossas saídas me marcou em particular. Estávamos indo para o litoral sul num dia de muito sol e calor, depois de uns 25 km pedalando de frente contra o forte vento do RN, encaramos aquela
subidona antes do pórtico de Pirangi. Para mim não é uma subida demasiadamente difícil, mas eu já sou ciclista a bastante tempo. Minha irmã foi atrás me seguindo, mas eu abri distância e cheguei ao topo. Parei e me voltei para ver como ela estava, se tinha parado, se precisava de ajuda, etc.
Já pedalei com caras muito mais fortes que a Bianca e que no meio desta subida pararam sem ar, com cãibras e vendo estrelinhas. Eles lutaram contra a subida e perderam. Mas lá estava minha irmã, de capacete e luvas conhecendo a si mesma, descobrindo mais sobre seus limites e possibilidades, desenvolvendo autoconfiança, escalando a maior ladeira da vida dela, entendendo e se adaptando à subida. Fiquei verdadeiramente emocionado. Quando ela chegou ao topo nos abraçamos e ficamos juntos comemorando e desfrutando daquela ocasião especial.
Estávamos ali naquele lugar e vivendo aquele momento. Não havia nada além disso. A alegria de ter aprendido um pouco mais sobre nós mesmos, a emoção de sentir-se verdadeiramente vivo, um sentido de comunhão com o sol, o vento, a montanha e a bicicleta.
Éramos todos um só.
Rodrigo Arnoud Rodrigues
Publicado em 2006



Confesso que me despertou memórias emocionantes relacionadas ao ciclismo. Belíssimo texto, Arnoud!
Graduo minha vida como um conjunto desses pequenos momentos. É uma maneira de ver as coisas, na minha opinião.
Abraço!
Gabriel Galvão
Segunda-feira, 9 Junho 2008