Bicicletas

Manifesto dos Invisíveis

Posted on quinta-feira, 18 setembro 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, |

O texto coletivo, que cirulou por listas de email, foi assunto de chats e conversas, recebeu centenas de alterações não é uma versão conclusiva nem estática. Como disse um dos autores, talvez nunca existirá uma versão definitiva. Mas a análise e a opinião destes especialistas empíricos sobre as ruas da cidade de São Paulo merece ser escutada e serve de reflexão para motoristas e governantes de qualquer cidade deste país.

Manifesto dos Invisíveis

Motorista, o que você faria se dissessem que você só pode dirigir em algumas vias especiais, porque seu carro não possui airbags? E que, onde elas não existissem, você não poderia transitar?

Para nós, cidadãos que utilizam a bicicleta como meio de transporte, é esse o sentimento ao ouvir que “só será seguro pedalar em São Paulo quando houver ciclovias”, ou que “a bicicleta atrapalha o trânsito”. Precisamos pedalar agora. E já pedalamos! Nós e mais 300 mil pessoas, diariamente. Será que deveríamos esperar até 2020, ano em que Eduardo Jorge (secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo) estima que teremos 1.000 quilômetros de ciclovias? Se a cidade tem mais de 17 mil quilômetros de vias, pelo menos 94% delas continuarão sem ciclovia. Como fazer quando precisarmos passar por alguma dessas vias? Carregar a bicicleta nas costas até a próxima ciclovia? Empurrá-la pela calçada?

Ciclovia é só uma das possibilidades de infra-estrutura existentes para o uso da bicicleta. Nosso sistema viário, assim como a cidade, foi pensado para os carros particulares e, quando não ignora, coloca em segundo plano os ônibus, pedestres e ciclistas. Não precisamos de ciclovias para pedalar, assim como carros e caminhões não precisam ser separados. O ciclista tem o direito legal de pedalar por praticamente todas as vias, e ainda tem a preferência garantida pelo Código de Trânsito Brasileiro sobre todos os veículos motorizados. A evolução do ciclismo como transporte é marca de cidadania na Europa e de funcionalidade na China. Já temos, mesmo na América do Sul, grandes exemplos de soluções criativas: Bogotá e Curitiba.

Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. Às leis de trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria que assusta e agride.

A recente iniciativa do Metrô de emprestar bicicletas e oferecer bicicletários é importante. Atende a uma carência que é relegada pelo poder público: a necessidade de espaço seguro para estacionar as bikes. Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas.

A insistência em afirmar que as ruas serão seguras para as bicicletas somente quando houver milhares de quilômetros de ciclovias parece a desculpa usada por muitos motoristas para não deixar o carro em casa. “Só mudarei meus hábitos quando tiver metrô na porta de casa”, enquanto continuam a congestionar e poluir o espaço público, esperando que outros resolvam seus problemas, em vez de tomar a iniciativa para construir uma solução.

Não podemos e não vamos esperar. Precisamos usar nossas bicicletas já, dentro da lei e com segurança. Vamos desde já contribuir para melhorar a qualidade de vida da nossa cidade. Vamos liberar espaços no trânsito e não poluir o ar. Vamos fazer bem para a saúde (de todos) e compartilhar, com os que ainda não experimentaram, o prazer de pedalar.

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construirmos juntos uma cidade mais humana.

A rua é de todos. A cidade também.

Nós, que também somos o trânsito:

Alberto Pellegrini
Alexandre Afonso
Alexandre Catão
Alexandre Loschiavo (Sampabiketour)
Alex Gomes ( U-Biker )
Ana Paula Cross Neumann (Aninha)
André Pasqualini (CicloBR)
Antonio Lacerda Miotto (Pedalante)
Aylons Hazzud
Ayrton Sena Santos do Nascimento
Bruno Canesi Morino
Bruno Gola
Carolina Spillari
Célia Choairy de Moraes
Chantal Bispo (Eu vou voando)
Daniel Ingo Haase (FAHRRAD)
Daniel Albuquerque
Eduardo Marques Grigoletto (CicloAtivando)
Fabrício Zuccherato (pedal-driven)
Flávio “Xavero” Coelho
Felipe Aragonez (Falanstérios)
Felipe Martins Pereira Ribeiro
Fernando Guimarães Norte
Gustavo Fonseca Meyer
Hélio Wicher Neto
João Guilherme Lacerda
José Alberto F. Monteiro
João Paulo Pedrosa (Malfadado – PT)
Juliana Mateus
Laércio Luiz Muniz
Leandro Cascino Repolho
Lucien Constantino
Luis Sorrilha (BIGSP)
Luiz Humberto Sanches Farias
Marcelo Império Grillo
Márcia Regina de Andrade Prado
Márcio Campos
Mário Canna Pires
Matias Mignon Mickenhagen
Mathias Fingermann
Otávio Remedio
Paula Cinquetti
Polly Rosa

Ricardo Shiota Yasuda

Rodrigo Arnoud Rodrigues (Uma outra viagem)
Rodrigo Sampaio Primo
Ronaldo Toshio
Silvio Tambara
Thiago Benicchio (Apocalipse Motorizado)
Vado Gonçalves (cicloativismo)
Vitor Leal Pinheiro (Quintal)
Willian Cruz (Vá de Bike!)

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( 1 so far )

O Agora e o Aqui

Posted on domingo, 11 maio 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, , |

Nesta semana em que minha irmã esteve aqui em Natal passeamos, rimos e conversamos muito. Foi bastante enriquecedor desfrutar da proximidade dela para conseguirmos entender melhor nossos problemas e procurar as nossas soluções.

Mas, além disso, andamos bastante de bicicleta.

Sou ciclista a vários anos e ela nunca mostrou interesse em andar de bicicleta. Mas depois que foi morar sozinha em Sobral a alguns meses, ela despertou para todas as vantagens que o ciclismo trás a nós mesmos e à sociedade também. Em pouco tempo já tinha comprado uma bicicleta de passeio (uma Caloi 100 Sport), passou a ir trabalhar pedalando e até entrou num grupo de ciclistas que faz trilhas, os Carcará Pedaleiros. Está pensando a sério em começar a competir.

Uma de nossas saídas me marcou em particular. Estávamos indo para o litoral sul num dia de muito sol e calor, depois de uns 25 km pedalando de frente contra o forte vento do RN, encaramos aquela
subidona antes do pórtico de Pirangi. Para mim não é uma subida demasiadamente difícil, mas eu já sou ciclista a bastante tempo. Minha irmã foi atrás me seguindo, mas eu abri distância e cheguei ao topo. Parei e me voltei para ver como ela estava, se tinha parado, se precisava de ajuda, etc.

Já pedalei com caras muito mais fortes que a Bianca e que no meio desta subida pararam sem ar, com cãibras e vendo estrelinhas. Eles lutaram contra a subida e perderam. Mas lá estava minha irmã, de capacete e luvas conhecendo a si mesma, descobrindo mais sobre seus limites e possibilidades, desenvolvendo autoconfiança, escalando a maior ladeira da vida dela, entendendo e se adaptando à subida. Fiquei verdadeiramente emocionado. Quando ela chegou ao topo nos abraçamos e ficamos juntos comemorando e desfrutando daquela ocasião especial.

Estávamos ali naquele lugar e vivendo aquele momento. Não havia nada além disso. A alegria de ter aprendido um pouco mais sobre nós mesmos, a emoção de sentir-se verdadeiramente vivo, um sentido de comunhão com o sol, o vento, a montanha e a bicicleta.

Éramos todos um só.

Rodrigo Arnoud Rodrigues

Publicado em 2006

Ler Post Completo | Make a Comment ( 1 so far )

Passeio Erótico na Noite Natalense

Posted on terça-feira, 6 maio 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, |

Sábado à noite, lua cheia, muito calor. O tesão é de experimentar algo novo. Talvez algo perigoso aos olhos de muitos.

Hoje ela seria minha, não escaparia do meu desejo. Penetraria nela com suavidade, mas também com decisão. Sem rumo definido, segui lentamente com a bicicleta. Onde quer que eu fosse ela estaria lá. Disponível. Sem poder fugir.

Entrei numa pequena rua onde nunca havia passado. Observei os detalhes das casas. Portões baixos, jardins em diferentes níveis de cuidado. Subia a rua bem devagar, sem fazer ruído, me insinuando para ela. Ela que se estendia lânguida sob a lua e me incitava a ver mais.

Mais a frente o brega tocava noutra esquina, homens bebendo. Indiferentes à beleza daquela dama. Talvez, por estarem sempre na presença dela, já não dêem tanto valor à sua formosura. Homens parecem ser assim, às vezes.

Vejo da sala ao quarto, passando pela cozinha. Às vezes uma cortina de pano fino separa um cômodo do outro. Um olhar é suficiente para descobrir suas intimidades. Sempre fui um pouco voyeur.

Aos poucos ia desnudando esta senhora. Seus contornos, suas curvas. Quase não se vê sua idade. Quase tudo é muito novo. Somente aqui e ali nota-se a passagem do tempo e a experiência de quem já viveu muito. Ela já foi de muitos homens, ora pelo anel, outros pela força. Alguns da terra outros tantos gringos. Seus filhos têm olhos de muitas cores.

Por onde ando há muita calma. Os lugares da moda estão longe daqui, mas não trocaria um pelo outro. Há aqui talvez mais educação e respeito que na zona sul.

Era minha primeira vez, mas seguia sem medo. Muitos têm medo na primeira vez. Mas eu não. Na adolescência fiz coisas parecidas, mas não era igual. Eu simplesmente não sabia fazer. A juventude tem vigor, mas não tem muita sabedoria. Desperdiçamos momentos por irmos com muita velocidade e pouco cuidado e atenção.

Um ou outro leão de chácara pousa os olhos em mim. Mas logo percebem que não ofereço perigo. Sigo com minha dama, bailando para lá e para cá. Na noite os gatos e homens são todos iguais e ela diz me achar bonito. Diz isso a todos é certo, mas fico feliz assim mesmo. Ela cobra seu preço. Em alguns momentos tenho que fazer força. Mas chegando ao ápice ela me sorri e diz que poucos conseguem o meu feito. Isso deve ser verdade. Ainda sem fôlego me deixo levar.

Satisfeito, volto para casa. Sigo um outro caminho, mais rápido e menos romântico. Um banho e estou limpo de qualquer marca ou cheiro.

Hoje conheci Natal de um jeito novo.

Publicado em 20 de Maio de 2006

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Campanha contra o automóvel

Posted on sábado, 3 maio 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, , |

Campanha do governo belga pelos transportes públicos e contra o automóvel.

Em Bruxelas cerca de 25% dos deslocamentos de automóvel na cidade são inferiores a 1km!! E 65% inferiores a 5km.

Para mudar este quadro, a prefeitura oferece um passe anual para os transportes públicos ou uma bicicleta nova + uma inscrição anual no sistema de aluguel de carros a quem renunciar ao registro do automóvel durante um ano. Ou seja, a pessoa não poderá usar seu carro neste período.

Se a pessoa desistir do carro, recebe a oferta em dobro!

A idéia é simplesmente convencer os habitantes de Bruxelas a não terem automóvel, dando-lhes um meio de transporte alternativo e a possibilidade de um aluguel fácil (mas pago) de um carro em caso de necessidade.

Claro que isso se dá numa sociedade que tem bons serviços de transporte público. Por outro lado não deixa de chocar que mesmo lá as pessoas prefiram usar o carro para percursos tão curtos.

Antes que alguém venha falar do clima, lembro que ali do lado está Holanda em que a maioria dos deslocamentos é feita de bicicleta, mesmo com frio, vento e neve.

O fato é que o uso do carro particular para todos os deslocamentos é uma aberração e como tal deve ser combatida.

Via panóptico e Menos um Carro

Ler Post Completo | Make a Comment ( 1 so far )

HOBSBAWM Falou…

Posted on segunda-feira, 21 abril 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, , |

“Se a mobilidade física é condição essencial da liberdade, a bicicleta talvez tenha sido o instrumento singular mais importante, desde Gutenberg, para atingir o que Marx chamou de plena realização das possibilidades de ser humano, e o único sem desvantagens óbvias.”

HOBSBAWM, E. (2002) Tempos interessantes: uma vida no século XX.

Ler Post Completo | Make a Comment ( 1 so far )

Seja um Herói!

Posted on domingo, 2 março 2008. Filed under: Bicicletas, Midia | Tags:, , , , , , |

Propaganda inglesa de incentivo ao uso da bicicleta.

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...