O Agora e o Aqui

Posted on domingo, 11 maio 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, , |

Nesta semana em que minha irmã esteve aqui em Natal passeamos, rimos e conversamos muito. Foi bastante enriquecedor desfrutar da proximidade dela para conseguirmos entender melhor nossos problemas e procurar as nossas soluções.

Mas, além disso, andamos bastante de bicicleta.

Sou ciclista a vários anos e ela nunca mostrou interesse em andar de bicicleta. Mas depois que foi morar sozinha em Sobral a alguns meses, ela despertou para todas as vantagens que o ciclismo trás a nós mesmos e à sociedade também. Em pouco tempo já tinha comprado uma bicicleta de passeio (uma Caloi 100 Sport), passou a ir trabalhar pedalando e até entrou num grupo de ciclistas que faz trilhas, os Carcará Pedaleiros. Está pensando a sério em começar a competir.

Uma de nossas saídas me marcou em particular. Estávamos indo para o litoral sul num dia de muito sol e calor, depois de uns 25 km pedalando de frente contra o forte vento do RN, encaramos aquela
subidona antes do pórtico de Pirangi. Para mim não é uma subida demasiadamente difícil, mas eu já sou ciclista a bastante tempo. Minha irmã foi atrás me seguindo, mas eu abri distância e cheguei ao topo. Parei e me voltei para ver como ela estava, se tinha parado, se precisava de ajuda, etc.

Já pedalei com caras muito mais fortes que a Bianca e que no meio desta subida pararam sem ar, com cãibras e vendo estrelinhas. Eles lutaram contra a subida e perderam. Mas lá estava minha irmã, de capacete e luvas conhecendo a si mesma, descobrindo mais sobre seus limites e possibilidades, desenvolvendo autoconfiança, escalando a maior ladeira da vida dela, entendendo e se adaptando à subida. Fiquei verdadeiramente emocionado. Quando ela chegou ao topo nos abraçamos e ficamos juntos comemorando e desfrutando daquela ocasião especial.

Estávamos ali naquele lugar e vivendo aquele momento. Não havia nada além disso. A alegria de ter aprendido um pouco mais sobre nós mesmos, a emoção de sentir-se verdadeiramente vivo, um sentido de comunhão com o sol, o vento, a montanha e a bicicleta.

Éramos todos um só.

Rodrigo Arnoud Rodrigues

Publicado em 2006

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Passeio Erótico na Noite Natalense

Posted on terça-feira, 6 maio 2008. Filed under: Bicicletas | Tags:, |

Sábado à noite, lua cheia, muito calor. O tesão é de experimentar algo novo. Talvez algo perigoso aos olhos de muitos.

Hoje ela seria minha, não escaparia do meu desejo. Penetraria nela com suavidade, mas também com decisão. Sem rumo definido, segui lentamente com a bicicleta. Onde quer que eu fosse ela estaria lá. Disponível. Sem poder fugir.

Entrei numa pequena rua onde nunca havia passado. Observei os detalhes das casas. Portões baixos, jardins em diferentes níveis de cuidado. Subia a rua bem devagar, sem fazer ruído, me insinuando para ela. Ela que se estendia lânguida sob a lua e me incitava a ver mais.

Mais a frente o brega tocava noutra esquina, homens bebendo. Indiferentes à beleza daquela dama. Talvez, por estarem sempre na presença dela, já não dêem tanto valor à sua formosura. Homens parecem ser assim, às vezes.

Vejo da sala ao quarto, passando pela cozinha. Às vezes uma cortina de pano fino separa um cômodo do outro. Um olhar é suficiente para descobrir suas intimidades. Sempre fui um pouco voyeur.

Aos poucos ia desnudando esta senhora. Seus contornos, suas curvas. Quase não se vê sua idade. Quase tudo é muito novo. Somente aqui e ali nota-se a passagem do tempo e a experiência de quem já viveu muito. Ela já foi de muitos homens, ora pelo anel, outros pela força. Alguns da terra outros tantos gringos. Seus filhos têm olhos de muitas cores.

Por onde ando há muita calma. Os lugares da moda estão longe daqui, mas não trocaria um pelo outro. Há aqui talvez mais educação e respeito que na zona sul.

Era minha primeira vez, mas seguia sem medo. Muitos têm medo na primeira vez. Mas eu não. Na adolescência fiz coisas parecidas, mas não era igual. Eu simplesmente não sabia fazer. A juventude tem vigor, mas não tem muita sabedoria. Desperdiçamos momentos por irmos com muita velocidade e pouco cuidado e atenção.

Um ou outro leão de chácara pousa os olhos em mim. Mas logo percebem que não ofereço perigo. Sigo com minha dama, bailando para lá e para cá. Na noite os gatos e homens são todos iguais e ela diz me achar bonito. Diz isso a todos é certo, mas fico feliz assim mesmo. Ela cobra seu preço. Em alguns momentos tenho que fazer força. Mas chegando ao ápice ela me sorri e diz que poucos conseguem o meu feito. Isso deve ser verdade. Ainda sem fôlego me deixo levar.

Satisfeito, volto para casa. Sigo um outro caminho, mais rápido e menos romântico. Um banho e estou limpo de qualquer marca ou cheiro.

Hoje conheci Natal de um jeito novo.

Publicado em 20 de Maio de 2006

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